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Suporte preto impresso em 3D fixado em parede externa sob sol forte, com as linhas de impressão visíveis na peça, imagem gerada por IA
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ASA: o filamento que aguenta o sol do Tocantins

· 6 min de leitura · 1 visualizações · por Equipe 3D Tocantins

Atualizado

Imprima uma placa de número de casa em ABS preto e deixe no sol. Em poucos meses ela amarela, perde resistência e começa a rachar. A mesma peça em ASA continua com a cor e a força quase intactas seis meses depois, segundo a fabricante 3DXTech. A diferença cabe em uma troca de química.

Quem imprime peça que vive do lado de fora, suporte de câmera, caixa de medidor, peça de irrigação, esbarra cedo ou tarde no mesmo problema: o sol come o plástico. No Tocantins, com sol forte o ano inteiro, esse prazo encurta. ASA foi criado pra esse cenário. Vale entender por quê.

A troca que muda tudo: butadieno por acrílico

ABS é a sigla de acrilonitrila-butadieno-estireno. O butadieno é o que dá a resistência ao impacto do ABS. É também o seu ponto fraco: a radiação UV quebra as cadeias de polímero baseadas em butadieno, e a peça amarela, perde tenacidade e racha, explica a 3DXTech.

ASA (acrilonitrila-estireno-acrilato) faz uma troca cirúrgica: tira o butadieno e põe borracha de acrilato no lugar. O acrilato é muito mais estável sob UV, então a peça mantém cor, rigidez e integridade mecânica mesmo depois de exposição prolongada ao tempo. A Prusa chama o ASA de "sucessor do ABS" justamente por isso: mesma família, sem o calcanhar de aquiles no sol.

Quanto tempo cada um aguenta no sol, de verdade

A diferença não é sutil. Em teste de intemperismo acelerado (ASTM G154, arco de xenônio), o ASA mantém mais de 80% da resistência ao impacto depois de 2.000 horas de UV. O ABS cai abaixo de 50% em menos de 500 horas no mesmo protocolo, segundo levantamento da LayerX3D.

Na cor, o contraste é igual. ABS sem estabilizante UV amarela visivelmente em 3 a 6 meses de sol direto e fica quebradiço em menos de um ano. ASA mantém estabilidade de cor excelente, variação menor que ΔE 3 em cerca de 5 anos ao ar livre (ΔE 3 é mais ou menos o ponto em que o olho humano começa a perceber mudança de cor). A Prusa fez o teste visual mais simples possível: deixou duas amostras no tempo, metade de cada uma coberta. A parte de ABS exposta amarelou e degradou; a de ASA, não.

Vale a honestidade: parte desses números vem de fabricantes de filamento, que têm interesse em vender ASA. Mas o mecanismo é química básica de polímero e bate entre fontes independentes.

ASA não é mais fraco que ABS

Um mito comum é que a resistência ao sol vem às custas da resistência mecânica. Não vem. No papel, ASA empata ou supera o ABS.

CritérioASAABSPETG
UV / sol diretoAltaBaixaMédia
Amarela ao ar livreQuase nada (menos de ΔE 3 em ~5 anos)Visível em 3-6 mesesPode amarelar
Amolece por volta de85-96°C80-98°C70°C
Impacto (Izod)~321 J/m~200-400 J/mBom, mais flexível
Facilidade de impressãoModeradaDifícilFácil

A resistência à tração fica em torno de 33 MPa no ASA, contra 30 a 40 MPa do ABS, números da própria 3DXTech. A temperatura de transição vítrea é 100°C no ASA e 105°C no ABS, segundo a Wevolver, o que torna o ASA até um pouco mais fácil de imprimir. Resumo: você troca o butadieno pela proteção UV sem abrir mão de força.

Imprimir ASA: parecido com ABS, um drama a menos

Quem já brigou com ABS vai se sentir em casa. Bico entre 240 e 260°C (a Prusa recomenda 260°C no Prusament ASA), mesa aquecida entre 90 e 110°C, ventoinha de resfriamento no mínimo ou desligada.

A boa notícia: ASA encolhe um pouco menos que o ABS, então empena menos em máquina calibrada. A má notícia: ainda empena. Peça grande continua pedindo câmara fechada (enclosure) pra segurar a temperatura. Peça pequena costuma sair bem em impressora aberta. Um detalhe que pega muita gente: não faça corrente de ar em volta da impressão. A Prusa alerta que vento direto piora o resultado do ASA, mesmo dentro de sala ventilada.

E ventilação importa por um motivo de saúde, não só de qualidade. ASA, como o ABS, libera estireno e outros voláteis ao imprimir (a Prusa diz que o cheiro é menor que o do ABS). Imprima em local arejado, de preferência com a impressora em caixa fechada com exaustão ou filtro, e longe de quarto e área de convívio.

Um ponto local: ASA puxa umidade. Os fornecedores brasileiros enviam o rolo seco, com sílica e embalagem selada, e recomendam guardar assim. Na estação chuvosa do Tocantins isso não é firula: filamento úmido estala na hora da impressão e sai com bolha. Caixa fechada com sílica resolve.

E o PETG? O atalho mais barato, e onde ele falha

Antes de comprar ASA, muita gente pergunta: e o PETG, que já tenho e é fácil de imprimir? PETG tem resistência UV média, melhor que ABS, pior que ASA, e é o mais fácil dos três de imprimir, segundo comparativo da Sovol. Pra peça que não fica em sol direto o tempo todo, resolve.

O problema do PETG no Tocantins é o calor. Ele começa a amolecer por volta de 70°C. Uma peça preta parada no sol do meio-dia passa fácil dessa temperatura na superfície. Suporte de painel solar, peça dentro de carro fechado, caixa de medidor exposta: aí o PETG entorta. ASA aguenta perto de 93°C antes de deformar. Pra sol forte com calor junto, ASA ainda ganha.

Quanto custa ASA no Brasil, e quando vale a troca

A melhor parte pra quem é do Brasil: ASA não é item de importação, tem marca nacional e pronta entrega. Um rolo de 1 kg de ASA 1,75 mm sai por volta de R$ 99 a R$ 180, dependendo da marca: a 3DX Filamentos cobra R$ 180 no preto, e versões mais simples saem perto de R$ 99 a R$ 110. ABS no mesmo formato fica entre R$ 79 e R$ 127.

Ou seja: o ASA custa um pouco mais, mas a diferença é de dezenas de reais, não de centenas. Pra uma peça que vai viver anos no sol, é barato. Marcas com ASA em estoque no Brasil incluem GTMax3D, 3D Fila, Voolt3D, Elegoo (via revenda) e a própria 3DX. Compre direto na loja da marca ou em revenda com boa reputação.

Quando não vale trocar: se a peça vive dentro de casa, longe de janela, ABS ou PETG entregam o mesmo e custam menos. ASA é solução pra exposição ao tempo. Pagar a mais por proteção UV que a peça nunca vai usar é desperdício.

Perguntas frequentes

ASA é mais resistente que ABS?

No impacto e na tração, empata. Na resistência ao sol e à chuva, ASA ganha de longe. Pra peça interna quase não muda nada. Pra peça externa, muda tudo.

Dá pra imprimir ASA em impressora aberta, sem enclosure?

Peça pequena, sim, na maioria das vezes. Peça grande tende a empenar nos cantos sem câmara fechada, porque ASA ainda encolhe ao esfriar. Mesa quente e zero corrente de ar ajudam.

ASA precisa de bico especial?

ASA comum não: bico de latão padrão serve. A versão com fibra de carbono (ASA-CF), que tem cerca de 15% de fibra, é abrasiva e exige bico de aço endurecido.

ASA solta cheiro tóxico?

Solta estireno e voláteis, como o ABS, em quantidade um pouco menor segundo a Prusa. Imprima em local arejado, de preferência com exaustão ou filtro, longe de quarto e cozinha.

PETG não resolve pra peça ao ar livre?

Resolve pra exposição leve. Mas PETG amolece perto de 70°C e pode amarelar com sol prolongado. Pra calor forte e sol direto, que é a regra no Tocantins boa parte do ano, ASA é a escolha mais segura.

Qual a temperatura ideal pra imprimir ASA?

Bico entre 240 e 260°C e mesa entre 90 e 110°C cobrem a maioria dos filamentos. Comece pelo valor recomendado pela marca do rolo e ajuste a adesão pela primeira camada.

Onde ir agora

Se a sua próxima peça vai encarar sol e chuva, ASA é a aposta certa, e ela cabe no orçamento sem importação. Antes de comprar, confira se o rolo vem selado com sílica e se a marca tem reputação na comunidade. Pra comparar os outros materiais e ver mais guias de fabricação digital feitos pra realidade daqui, dá uma olhada no blog do 3D Tocantins.

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