Creality M1 e R1: transforme refugo em filamento novo
· 4 min de leitura · 1 visualizações · por 3D Cerrado
Um quilo de PLA básico que custava US$ 18 em fevereiro hoje sai perto de US$ 28, uma alta de quase 59% em poucos meses, segundo levantamento da Yanko Design. A Creality respondeu com uma máquina de mesa que tritura suas impressões falhas e devolve filamento novo no carretel.
São dois aparelhos que trabalham em dupla: o triturador Shredder R1 e a extrusora Filament Maker M1. A campanha no Indiegogo já passou de US$ 4,9 milhões arrecadados, uma das maiores de hardware 3D da história da plataforma, segundo a Smith3D. Os primeiros backers começaram a receber os aparelhos em junho de 2026.
O que a Creality lançou e quanto custa
O combo Shredder R1 mais Filament Maker M1 saiu por US$ 1.199 no lote "super early bird", já com 2 kg de pellets de PLA e um carretel vazio incluso, conforme a Notebookcheck. Separados, a extrusora ficou em US$ 799 e o triturador em US$ 499.
A lógica de venda é a economia por rolo. A Creality estima cerca de US$ 5 em pellets por carretel reciclado, contra os quase US$ 28 de um rolo de PLA comprado pronto hoje. Em volume, a máquina se paga.
Vale a ressalva honesta: esses são preços de pré-venda em dólar, no Indiegogo. Ainda não há preço nem data oficial de chegada ao Brasil. Quem importar paga frete internacional e imposto por cima.
Como funciona triturar refugo e extrudar em casa
O fluxo tem dois passos. O Shredder R1 mói impressões que deram errado, suportes e carretéis velhos em fragmentos. Por enquanto ele aceita só PLA e PETG, os plásticos mais comuns na bancada de quem está começando.
Esses fragmentos vão pra Filament Maker M1, que derrete e extruda um filamento novo. A própria Creality cita saída de até 1 kg por hora com tolerância de diâmetro de ±0,05 mm usando pellet virgem, e algo entre 1,65 mm e 1,80 mm quando o material é refugo reciclado. A extrusora trabalha com oito famílias de plástico (PLA, ABS, PETG, ASA, PA, PC, TPU e PET), então dá pra criar filamento do zero a partir de pellet, não só reciclar.
Em resumo: refugo entra no R1, pellet entra no M1, filamento novo sai no carretel.

Pellets, filamento e peças impressas: o ecossistema que a Creality promete fechar em casa com o M1 e o R1. Foto: divulgação Creality.
Faz sentido pro maker do Tocantins?
Aqui filamento bom raramente é local. Quem imprime em Palmas, Araguaína ou Gurupi quase sempre compra do Sudeste ou do Sul e espera o frete, que infla o preço de um insumo que já subiu lá fora. Uma máquina que recicla o próprio refugo ataca exatamente essa dor: menos compra, menos espera, menos plástico no lixo.
O Tocantins é estado de agronegócio e oficina, gente acostumada a consertar e reaproveitar. Reaproveitar o erro de impressão como matéria-prima conversa com essa cabeça. Para quem roda uma fazenda de impressoras ou vende peça em escala, o desperdício de hoje vira estoque amanhã.
Mas a conta só fecha em volume. Pra quem imprime um chaveiro por mês, importar um sistema de US$ 1.199 não se paga tão cedo.
Onde a conta ainda não fecha
A parte chata é a qualidade. O filamento reciclado sai com tolerância de diâmetro perto de ±0,1 mm, enquanto rolo comercial decente fica em ±0,02 a ±0,03 mm, como aponta a análise da Smith3D. Diâmetro irregular vira sub ou super extrusão na peça.
Tem também a degradação do polímero. Cada ciclo de calor enfraquece um pouco o plástico, então reciclar o mesmo material muitas vezes cobra seu preço em resistência. Reviews práticos confirmaram que o filamento imprime, mas recomendam esperar testes independentes das unidades de produção antes de apostar alto. É um lançamento promissor, não uma certeza.
Perguntas frequentes
O triturador aceita qualquer plástico?
Não. No lançamento, o Shredder R1 mói só PLA e PETG. A extrusora M1 trabalha com oito famílias de plástico, incluindo ABS, ASA, TPU e PC, mas a reciclagem direta começa pelos dois mais comuns.
Já dá pra comprar no Brasil?
Ainda não há preço nem data oficial de venda no Brasil. Os valores conhecidos são de pré-venda em dólar no Indiegogo, e quem importar paga frete e imposto por cima.
O filamento reciclado imprime tão bem quanto o comprado?
Imprime, segundo os primeiros testes, mas com tolerância de diâmetro maior (perto de ±0,1 mm). Para peça técnica que exige precisão, o rolo comercial ainda leva vantagem.
Vale a pena pra quem imprime pouco?
Provavelmente não. O sistema custa US$ 1.199 na pré-venda e só compensa quem gera bastante refugo ou compra filamento em volume.
Onde ir agora
Antes de importar máquina, veja quem já fabrica e vende perto de você: confira o diretório de serviços de fabricação digital do Tocantins e fale com makers da região sobre o que eles fazem com o refugo hoje. Se quiser entender mais sobre filamentos e materiais antes de decidir, dá uma passada na nossa base de conhecimento.
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