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Medidor de energia elétrica residencial em preto e branco, simbolizando o custo de luz de uma impressora 3D. Foto de Jon Moore via Unsplash.
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Quanto sua impressora 3D pesa na conta de luz

· 6 min de leitura · 1 visualizações · por Equipe 3D Tocantins

Atualizado

Muita gente no Tocantins evita deixar a impressora 3D rodando a noite toda com medo do susto na conta da Energisa. O susto não vem da impressora. Uma peça que leva 6 horas pra sair custa, em energia, menos que um pão na chapa: alguns centavos.

A confusão é natural. A máquina fica horas ligada, esquenta, faz barulho de coisa cara. Mas o que consome de verdade é uma peça só, a mesa aquecida, e dá pra calcular exatamente quanto ela tira do seu bolso. Abaixo vai a conta real, com a tarifa praticada aqui no estado.

Onde vai a energia: a mesa aquecida puxa quase tudo

Numa impressora 3D de filamento, quase toda a eletricidade vira calor na mesa aquecida. O resto do equipamento consome pouco.

Os números de potência, segundo o guia de consumo da Flashforge e a Clever Creations, ficam assim:

  • Mesa aquecida: 120 a 300 W (uma Ender 3 Pro ou CR-10 fica perto de 200 W)
  • Hotend (o bico): 30 a 50 W
  • Motores de passo: cerca de 10 W
  • Placa, telas e ventoinhas: 15 a 20 W

Soma tudo que não é a mesa e você chega a uns 60 a 80 W. A mesa sozinha, quando está puxando, vale mais que todo o resto junto. Faz a conta: 200 W de mesa contra uns 70 W do restante coloca a mesa perto de 70% do consumo no momento do aquecimento. Por isso a MakeUseOf resume que a mesa responde por mais da metade de tudo que a máquina gasta.

Tem um detalhe que quase ninguém comenta: cerca de metade do calor da mesa escapa por baixo, pro vão da impressora, sem servir pra nada. É energia que você paga e joga no ar. Guarda essa informação, ela volta na parte de economizar.

Quanto custa uma impressão no Tocantins

A fórmula é simples e sai direto da 3D Lab: potência em watts, multiplicada pelas horas, dividida por 1000, vezes a tarifa em reais por kWh.

Falta o número da tarifa. Aqui entra a parte regional. A energia no Tocantins é uma das mais baratas do Brasil: cerca de R$ 0,537 por kWh sem tributos, o que coloca Palmas em 26º lugar entre as 27 capitais, segundo levantamento de 2025. Com ICMS, PIS/Cofins e iluminação pública, o valor cheio que cai na fatura fica por volta de R$ 0,76 por kWh na tarifa convencional em Palmas, conforme o WebArCondicionado.

Pega o valor exato da sua conta, na linha "Energia Elétrica kWh". Vamos usar R$ 0,76 como referência.

Uma impressão típica de 6 horas consome de 0,54 a 0,72 kWh (Flashforge). Na tarifa de Palmas:

  • 0,54 kWh x R$ 0,76 = R$ 0,41
  • 0,72 kWh x R$ 0,76 = R$ 0,55

Ou seja, menos de 60 centavos pra peça inteira. Mesmo com a bandeira vermelha que voltou em 2025, que adiciona R$ 6,00 a cada 100 kWh consumidos, ou R$ 0,06 por kWh, segundo a ANEEL via Diário Tocantinense, o acréscimo na sua impressão é de centavos sobre centavos.

Rodando máquina o mês inteiro: a conta de quem vende peça

O cenário muda de figura pra quem produz. Aí o consumo soma.

Uma impressora rodando 6 horas por dia, todo dia, gasta entre 9 e 27 kWh no mês, dependendo da temperatura da mesa e do filamento (PLA puxa menos, ABS puxa mais). Na tarifa de Palmas, isso dá algo entre R$ 7 e R$ 21 por mês. Mesmo arredondando pra cima com bandeira vermelha, dificilmente passa de R$ 25.

Pra comparação, é menos do que muita casa paga só de geladeira. A 3D Lab faz questão de lembrar que esse custo precisa entrar na precificação de quem vende, mas ele raramente é o vilão da margem: filamento, tempo de máquina e peças que falham pesam muito mais que a luz.

A lição prática é direta. Se você não imprime pra vender, o custo de energia é irrelevante e não deve te impedir de imprimir. Se você vende, calcula, mas não superdimensiona. Energia costuma ser a menor linha da sua planilha.

Por que a conta dói no Tocantins mesmo com tarifa baixa

Aqui mora a ironia. A tarifa do Tocantins é baixa no ranking nacional, mas a conta no fim do mês assusta. O motivo não é a impressora nem o preço do kWh: é o calor.

Em julho de 2025, a ANEEL aprovou um reajuste de 12,31% para os consumidores residenciais da Energisa Tocantins. Junte isso à bandeira vermelha e ao ar-condicionado ligado direto por causa das temperaturas altas, e o consumo dispara. Moradores relataram contas saltando de R$ 212 para R$ 298 em um mês, segundo o Diário Tocantinense.

Um ar-condicionado split puxa muito mais watt que qualquer impressora 3D, e fica ligado muito mais tempo. A impressora, ao lado dele, é um detalhe. Se a sua conta subiu, o culpado quase certo é o clima, não a bancada de impressão.

Como gastar menos energia imprimindo

Se você produz em volume e quer apertar o consumo, ataque justamente a mesa, que é onde está o gasto. As três frentes que funcionam, segundo a Clever Creations e a MakeUseOf:

  • Isole a parte de baixo da mesa. Uma manta de cortiça ou de alumínio adesivo embaixo da mesa devolve o calor que escaparia pro vão. Lembra que metade se perde por baixo? Esse é o ganho mais fácil.
  • Feche a máquina, com cuidado. Um enclosure segura o calor da câmara e ajuda em ABS e PETG. Mas não enclausure PLA: o calor acumulado entope o bico (heat creep). Enclosure é pra filamento de alta temperatura.
  • Imprima na temperatura certa e em lote. Não suba a mesa além do necessário. PLA gruda com 50 a 60 graus. E se vai imprimir 5 peças, mande todas de uma vez: você aquece a mesa uma vez só, não cinco.

Impressoras mais novas e fechadas, como as da linha Bambu Lab, já ciclam a mesa de forma mais eficiente e consomem na casa de 0,1 kWh por hora. Não é motivo pra trocar de máquina só por isso, mas conta na hora de comprar a próxima.

Perguntas frequentes

Impressora 3D gasta muita energia?

Não. O consumo é parecido com o de um computador de mesa ligado, comparação que a própria 3D Lab faz. Em horas de uso normal, o custo é de centavos por impressão.

Posso deixar imprimindo a noite toda?

Pelo custo de energia, sim, é barato. O cuidado real não é a conta, é segurança: impressora FDM esquenta e já houve casos de incêndio. Use um bom suporte, não deixe perto de material inflamável e, de preferência, com supervisão ou sensor.

A mesa aquecida é mesmo o maior gasto?

Sim. Ela puxa de 120 a 300 W, contra 30 a 50 W do bico e cerca de 10 W dos motores. Quando está aquecendo, vale mais que todo o resto da máquina somado.

Impressora de resina gasta menos que a de filamento?

Em geral sim, porque não tem mesa aquecida. Impressoras de resina ficam na faixa de 30 a 60 W, segundo a Flashforge. O gasto fica mais na tela UV e nos motores.

Vale a pena medir o consumo com um medidor de tomada?

Vale, se você produz pra vender. Um medidor de consumo de tomada (procure por "wattímetro de tomada" nos marketplaces) é barato e mostra exatamente quantos kWh a máquina gastou numa impressão real, sem chute.

A bandeira vermelha muda muito o custo da impressão?

Quase nada pra uma peça. A bandeira vermelha adiciona R$ 0,06 por kWh. Numa impressão que gasta 0,7 kWh, isso é menos de 5 centavos a mais.

Quanto a impressora aumenta minha conta por mês?

Depende do uso. Rodando algumas horas por dia, normalmente fica entre R$ 10 e R$ 25 por mês na tarifa do Tocantins. Pra uso de hobby, alguns reais.

Onde ir agora

Pega a sua última fatura da Energisa, acha a linha "Energia Elétrica kWh" e roda a fórmula com a potência da sua máquina. Em cinco minutos você sabe o número real, e provavelmente vai imprimir mais tranquilo. Pra mais guias de impressão 3D com pé no chão, dá uma olhada no nosso blog.

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