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Render da Bambu Lab A1 equipada com o MechAMS de 8 slots no topo, sistema mecânico de troca de filamento. Imagem: Sipers Mechatronics
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MechAMS: multicolor na Bambu A1 sem motor nem AMS

· 7 min de leitura · por Equipe 3D Tocantins

Um AMS Lite oficial da Bambu Lab custa R$ 2.499 e vive esgotado nas lojas brasileiras. O MechAMS faz a mesma A1 imprimir em 4 cores por 39 euros e algumas centenas de gramas de filamento que você já tem na prateleira. Sem motor, sem placa, sem um fio a mais.

A pegadinha honesta: você imprime o próprio sistema na impressora que ele vai equipar, e precisa meter a mão no hardware. Vale entender direito antes de sair limando a sua A1.

O que o MechAMS resolve numa A1 de uma cor só

O MechAMS é um sistema multi-material totalmente mecânico para as Bambu Lab A1 e A1 mini, tocado pela Sipers Mechatronics. Em vez de comprar um acessório eletrônico, você compra um pacote de arquivos 3MF, o G-code necessário e um gerador de software, imprime as peças na própria A1, parafusa e roda um trabalho multicolor "dentro de um fim de semana", segundo a página oficial.

O problema que ele ataca é conhecido de quem tem uma A1: sozinha, ela imprime uma cor por vez. Pra ganhar cor, a Bambu vende o AMS Lite, um carrossel motorizado de 4 bobinas. O MechAMS entrega os mesmos 4 slots, e chega a 8 com divisores Y, sem nenhum componente eletrônico novo.

Setup real do MechAMS com oito módulos em fila e bobinas de filamento coloridas alimentando uma Bambu Lab A1

Não é um clone barato do AMS. É outra ideia de engenharia pro mesmo objetivo, e é aí que a coisa fica interessante.

Por enquanto o suporte cobre só a A1 e a A1 mini, as duas máquinas mais populares da Bambu no Brasil. A Sipers já sinalizou que pretende trazer mais marcas e modelos no futuro, então quem tem outra impressora e gostou da ideia faz bem em ficar de olho no projeto.

Como trocar de cor sem um único motor

O truque é elegante. Uma engrenagem de coroa impressa em 3D é montada no topo do extrusor da A1, e cada slot de filamento tem a sua engrenagem de coroa correspondente. Quando a impressora move o cabeçote até uma estação e encaixa o acoplamento, o próprio motor de extrusão que já existe na A1 passa a girar só aquele filamento. Nas palavras da documentação: "a impressora seleciona o slot se movendo".

Detalhe da engrenagem de coroa impressa em 3D do MechAMS acoplada ao extrusor da Bambu Lab A1, o mecanismo que troca o filamento sem motor

Ou seja, nenhum atuador é adicionado. O sistema reaproveita um movimento que a máquina já sabe fazer. Quem comanda a troca é o G-code gerado pelo software da Sipers, que roda no Bambu Studio e no Orca sem modificação, com o firmware de fábrica. Não precisa de firmware alternativo nem de sensor extra.

Uma troca completa leva cerca de 1,5 minuto, e o recorde registrado pela própria equipe é de 89 segundos. É mais lento que um AMS motorizado, mas o preço dessa lentidão é literalmente zero eletrônico.

Quanto custa de verdade

Os 39 euros são o preço de lançamento, reduzido de 49. Ao câmbio de meados de julho de 2026, perto de R$ 5,86 por euro, isso dá cerca de R$ 230 pelo pacote de arquivos e software, com licença de uso pessoal e patente pendente.

Falta somar o filamento que você vai gastar imprimindo as peças. A conta da própria página: cerca de 320 g para montar 2 slots, mais uns 80 g por slot adicional, chegando a uns 800 g no build completo de 8 slots. É filamento que a maioria dos makers já tem sobrando.

Do outro lado da mesa está o AMS Lite oficial: R$ 2.499 numa revenda autorizada, com nota fiscal e garantia da Bambu, e ainda por cima esgotado no momento. A diferença de preço é grande demais pra ignorar, mas ela não é gratuita.

MechAMSAMS Lite oficial
Custo~R$ 230 (€39) + filamentoR$ 2.499
Cores4 (até 8 com divisor Y)4
Motor e eletrônicaNenhumMotorizado
InstalaçãoVocê imprime e modifica a A1Encaixa, plug-and-play
Garantia da impressoraProvavelmente anuladaPreservada
FirmwareDe fábricaDe fábrica

A tabela deixa claro que não é maçã com maçã. O AMS Lite é plug-and-play e automático de verdade. O MechAMS é do it yourself e cobra o seu tempo e o seu risco. Os R$ 2.270 de economia pagam justamente isso.

O preço que não aparece na etiqueta

Aqui mora a parte que nenhum anúncio conta. Pra instalar o MechAMS você mexe fisicamente na impressora: lima o eixo do extrusor, realoca o sensor de filamento, instala o banco de slots por cima e adiciona caminhos de PTFE. A documentação não disfarça: "sim, o toolhead sofre mudanças mecânicas reais".

Isso tem consequências que valem pensar com calma:

  • Garantia. Modificação mecânica no cabeçote provavelmente anula a garantia da Bambu. Se a sua A1 é nova, é uma decisão de peso.
  • Peso no cabeçote. O sistema adiciona cerca de 80 g ao toolhead. Numa A1, que move o próprio cabeçote de um lado pro outro, massa extra não é detalhe irrelevante em impressões rápidas.
  • Altura perdida. Você abre mão de alguns centímetros de volume no eixo Z.
  • Gestão manual. Não há sensor que saiba qual cor está em qual slot. Quem controla isso é você. Errou o slot, saiu a cor errada.
  • Atualizações. O fluxo não é à prova de updates de firmware. Uma atualização da Bambu pode quebrar o esquema até a Sipers ajustar.

Nada disso desqualifica o projeto. São o custo real de uma solução mecânica engenhosa, e nomear esses pontos é o que separa uma análise de um folheto de vendas.

Multicolor numa máquina só ainda joga filamento fora

Um lembrete técnico que muita gente esquece na empolgação: qualquer impressora de bico único desperdiça filamento a cada troca de cor. Pra sair limpo do vermelho e entrar no azul, o bico precisa purgar o que sobrou. É a famosa torre de descarte, o "cocô" multicolor. O MechAMS herda isso, porque a limitação é da arquitetura de bico único, a mesma do AMS.

A vantagem é que o gerador da Sipers deixa você calibrar a purga: zero, mínima ou pesada, conforme o material e a combinação de cores. Purga zero economiza filamento mas arrisca contaminação de cor. Purga alta gasta mais e entrega transição limpa. A escolha fica na sua mão, o que é mais controle do que a maioria dos fluxos oferece.

Sobre materiais, o sistema já foi rodado com PLA, PETG, PETG translúcido, PLA-CF, PETG-CF, TPU e suportes de PLA, segundo a Sipers. Cobre praticamente tudo que o maker médio usa no dia a dia.

Pra quem vale e pra quem não vale

Vale muito se você gosta de mexer, já tem uma A1 ou A1 mini, quer multicolor pra hobby, protótipo ou peça pessoal, e não se incomoda de modificar a máquina. Nesse perfil, o custo-benefício é quase absurdo: você paga o preço de um rolo e meio de filamento e ganha o que a Bambu cobra dois mil e quinhentos.

Não vale se você usa a A1 pra produzir e vender em escala. O próprio projeto avisa que não é feito pra print farm, pede manutenção ocasional e depende de você gerenciar os slots na unha. Se a impressora é ferramenta de trabalho, garantia e confiabilidade valem mais que a economia, e aí o AMS Lite oficial, ou subir pra uma P1 ou X1 com AMS de verdade, faz mais sentido.

E vale lembrar que é um projeto jovem, com patente pendente e licença pessoal, tocado por um time pequeno. Acompanhar o Instagram da Sipers antes de comprometer sua impressora é bom senso: dá pra ver o mecanismo funcionando e casos reais da comunidade antes de pegar a lima.

Perguntas frequentes

O MechAMS funciona na A1 mini ou só na A1 grande?

Nos dois. O mesmo pacote cobre a Bambu Lab A1 e a A1 mini, sem compra separada.

Quantas cores dá pra imprimir?

São 4 slots na configuração padrão, e até 8 usando divisores Y.

Funciona em outras impressoras além da Bambu A1?

Hoje não. O suporte oficial cobre só a Bambu Lab A1 e a A1 mini. A Sipers sinalizou que pretende expandir pra mais marcas e modelos, mas ainda sem data anunciada.

Preciso mesmo modificar a impressora?

Sim. É preciso limar o eixo do extrusor, realocar o sensor de filamento e instalar o banco de slots. A documentação oficial é explícita sobre as mudanças no cabeçote.

Isso anula a garantia da Bambu Lab?

Provavelmente. São alterações mecânicas reais no toolhead, então trate a garantia como perdida ao instalar.

Quanto filamento gasto pra imprimir o próprio sistema?

Cerca de 320 g para 2 slots, mais uns 80 g por slot adicional. O build completo de 8 slots consome perto de 800 g.

Funciona com o Bambu Studio normal?

Funciona. O G-code gerado roda no Bambu Studio e no Orca sem modificação, com o firmware de fábrica da impressora.

Ainda desperdiça filamento na troca de cor?

Sim, como toda impressora de bico único. A diferença é que a purga é ajustável no gerador, de zero a pesada.

Quanto custa no total?

O pacote sai por 39 euros no lançamento, algo perto de R$ 230, mais o filamento que você já tem em casa pra imprimir as peças.

Onde ir agora

Se você tem uma A1 parada imprimindo uma cor só, o MechAMS é o tipo de projeto que reacende a vontade de mexer na máquina. Antes de limar qualquer coisa, leia a documentação oficial inteira e veja os casos reais na comunidade. É barato no bolso e caro no compromisso com a impressora, então decida com os dois olhos abertos.

Quer mais guias diretos sobre impressão 3D sem enrolação? Dá uma olhada no blog do 3D Tocantins. E se você é maker por aqui e já rodou multicolor na sua Bambu, conta pra gente como foi.

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