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Vários brinquedos coloridos impressos em 3D reunidos sobre uma mesa, parecidos com os modelos doados para crianças em tratamento. Foto de Locanam 3D Printing via Unsplash.
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2.056 modelos 3D para crianças em tratamento de câncer

· 6 min de leitura · 2 visualizações · por Equipe 3D Tocantins

Uma criança termina mais uma sessão difícil na oncologia pediátrica, o braço ainda dolorido da agulha, e ganha o direito de escolher um brinquedo numa caixa. Vários desses brinquedos saíram de uma impressora 3D. Entre 2 de abril e o fim do concurso, 1.008 makers desenharam 2.056 modelos de graça para abastecer essas caixas.

Não foi campanha de fabricante nem ação de marketing. Foi a comunidade da impressão 3D se organizando sozinha, no primeiro concurso de caridade puxado por um usuário dentro do MakerWorld, a plataforma de modelos da Bambu Lab.

O luto que virou o projeto Pieksekisten

Pascal Neumann e a companheira, Silke, abastecem o centro de oncologia pediátrica de Augsburg, na Alemanha, com caixas de pequenos brinquedos para as crianças em tratamento. A ligação é pessoal e dura: o filho deles, Thore, foi tratado ali de um meduloblastoma grau IV, um tumor maligno e agressivo no cérebro, e morreu aos cinco anos, em outubro de 2023.

O projeto nasceu antes da perda. Segundo o comunicado oficial, começou em fevereiro de 2023, na clínica-dia onde Thore se tratava, quando Silke passou a perguntar como criar pequenos momentos bons para as crianças na ala. As primeiras caixas chegaram em março de 2023. Depois da morte do filho, o casal decidiu continuar ajudando as outras crianças que enfrentam a mesma luta, como Pascal conta no fórum oficial da Bambu Lab.

"Pieksekisten" é algo como "caixas da picada". Depois de cada injeção, coleta de sangue ou exame, a criança escolhe um brinquedo da caixa. É uma recompensa pequena por um ato grande de coragem.

A impressão 3D entrou depois, quase por acaso. Pascal percebeu que o filho gostava até das peças tortas que saíam da impressora de iniciante dele. "Para mim, era uma impressão falha. Para ele, era algo que o pai tinha feito", relata Pascal no comunicado. Hoje as figuras são gratuitas para as crianças, nunca vendidas, parte de um esforço sem fins comerciais.

Como um concurso reuniu 2.056 modelos em três semanas

Em 2 de abril de 2026, o projeto virou um concurso aberto dentro do MakerWorld, o primeiro de caridade puxado por um usuário da plataforma. Na página, ele aparece como "Hosted By U: @JamesDaRock", o perfil do próprio Pascal.

Antes do concurso, o projeto rodava com a permissão de cerca de 50 designers, conseguida uma a uma ao longo de meses por mensagens no fórum. Em três semanas, esse grupo cresceu cerca de 40 vezes: 1.008 criadores enviaram 2.056 modelos distintos, e a página passou de 250 mil visitantes únicos. Segundo o projeto, hoje cerca de metade das remessas em circulação já vem de modelos do concurso.

A maioria das peças segue a mesma linha: bichos articulados, fidgets, chaveiros. Na vitrine do concurso aparecem um gato flexível, uma coruja de sobrancelha levantada, um polvo articulado, um teatro de fantoches. São modelos que imprimem fácil, sem suporte, e que funcionam como distração na hora tensa.

Os modelos que venceram, e por que esses

O primeiro lugar não foi o brinquedo mais bonito. Foi o "Wall Decor & IV Stand Clip", de La Forge d'Orion: um clipe que prende uma decoração na haste do soro. No hospital, função pesa mais que enfeite.

O segundo lugar ficou com o "Puppet Theater with Puppets and Scenery", um teatro de fantoches com cenário, de berri3D. O terceiro foi o "Brain Teaser Puzzle Board", um tabuleiro de quebra-cabeça com 48 desafios, de PrecisionCrafts. O favorito da comunidade foi o "Pieksi", descrito como um amiguinho feito de seringa, de DIY Wizard. Uma categoria, a Kids Choice, ainda está sendo decidida pelas próprias crianças da ala.

O critério explica a escolha. Segundo o projeto, o que define se um modelo entra de verdade nas caixas é a usabilidade real, a confiabilidade de impressão e o design adequado a criança. Função antes da aparência.

Pontos viram filamento: como a doação funciona

Desenhar é só metade. A outra metade é pagar o filamento. A pedido da própria comunidade, em 30 de abril de 2026 o MakerWorld lançou a primeira doação de pontos da plataforma. No primeiro dia, foram 8.000 pontos. Até 26 de maio, 555 pessoas tinham doado 102.622 pontos, com o saldo aberto até 1 de junho.

Em dinheiro, isso equivale a cerca de US$ 8.300 em crédito, o suficiente para mais de 400 rolos de PLA ou cerca de 13 impressoras P2S, segundo o comunicado. Os pontos do MakerWorld, que normalmente saem de downloads e curtidas, viram material físico.

É um detalhe que mostra como a economia dessas plataformas pode girar para fora do hobby. O maker baixa um modelo, gera pontos quase sem perceber, e esses pontos terminam como um brinquedo numa ala de hospital.

Por que mandar arquivo, e não o brinquedo pronto

Tem um problema técnico no meio da boa intenção: higiene. Muitas das crianças na ala estão gravemente imunossuprimidas, e peça feita em FDM tem camadas e microporos, terreno fácil para sujeira em ambiente clínico. Por isso, segundo o comunicado, Pascal hoje não aceita peças impressas por terceiros: ele recebe só o arquivo digital, imprime no próprio equipamento, em PLA, e inspeciona cada peça antes de entregar. O projeto roda séries de teste de limpeza e desinfecção antes de liberar contribuições externas impressas, com resultados até agora sem dano ou mudança de cor.

A lógica de mandar arquivo em vez do brinquedo também é prática. Enviar um brinquedo físico por correio internacional custa de US$ 20 a 50 e leva de 2 a 6 semanas, com alfândega no meio. O mesmo cuidado, enviado como arquivo e impresso ali na hora, chega em menos de um dia e por menos de um dólar. Não basta imprimir: o brinquedo ainda precisa sobreviver a um protocolo de desinfecção de hospital.

Tem também a questão dos direitos. Cada modelo só é usado com permissão, o autor continua dono da peça, e o uso é sempre sem fins comerciais. Pascal resume a lógica numa frase que vale para qualquer maker: "Um modelo não é só um arquivo. É o tempo, a experiência e o trabalho criativo de uma pessoa."

Como entrar nisso de qualquer lugar

Do ponto de vista geográfico, a barreira é zero. O projeto é alemão, mas o concurso é digital: dá para participar do Brasil, do Tocantins, de qualquer lugar com uma conta no MakerWorld. A própria operação do MakerWorld destaca que chegaram contribuições "de São Paulo, Berlim e além", então o desenho que sai de uma bancada brasileira pode terminar na mão de uma criança em Augsburg.

São alguns caminhos, segundo o próprio projeto. Você pode enviar um modelo seu, pode autorizar que um modelo já existente seja usado nas caixas, ou pode doar pontos para custear filamento. Quem desenha bem ajuda com arquivo; quem imprime bastante ajuda com ponto.

Se a sua praia é desenhar brinquedo articulado que imprime sem suporte, esse é o tipo de peça que o projeto mais usa. Robustez, função e cara amigável valem mais que detalhe fino aqui.

Perguntas frequentes

O que são as Pieksekisten?

São caixas com pequenos brinquedos que crianças em tratamento de câncer escolhem depois de procedimentos como injeções e coletas de sangue. O nome, em alemão, brinca com a ideia de "caixa da picada". Parte dos brinquedos é impressa em 3D, e parte são presentes comuns.

Quem criou o projeto?

Pascal Neumann e a companheira, Silke, pais de Thore, um menino tratado de meduloblastoma no centro de oncologia pediátrica de Augsburg, na Alemanha, que morreu aos cinco anos em outubro de 2023. O casal passou a abastecer as caixas das outras crianças.

Quantos modelos o concurso reuniu?

Foram 2.056 modelos distintos enviados por 1.008 criadores em três semanas, a partir de 2 de abril de 2026, e a página do concurso passou de 250 mil visitantes únicos.

Os brinquedos impressos são seguros para o hospital?

Por enquanto, Pascal imprime tudo no próprio equipamento, em PLA, e inspeciona cada peça, sem aceitar itens impressos por terceiros. Muitas crianças na ala estão imunossuprimidas, então a higiene é o ponto crítico. O projeto testa protocolos de limpeza e desinfecção antes de abrir para contribuições externas impressas.

Dá para participar do Brasil?

Dá. O concurso e a doação acontecem dentro do MakerWorld, que é global, e o projeto registra contribuições vindas de São Paulo. Você pode enviar um modelo, autorizar o uso de um modelo seu ou doar pontos da plataforma para custear filamento.

Que tipo de modelo o projeto prefere?

Brinquedos que imprimem fácil e sem suporte, robustos e com cara amigável: bichos articulados, fidgets, chaveiros. Usabilidade e confiabilidade de impressão pesam mais que detalhe estético.

Onde ir agora

Se você está começando e quer entender como modelo, fatiador e filamento se conectam antes de desenhar a sua primeira peça para doar, comece pela nossa base de conhecimento. Um brinquedo simples, impresso direito, já é contribuição que cabe em qualquer bancada.

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