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Close de fios finos de plastico, tipo teia, ligando duas torres impressas em PETG laranja sobre a mesa de impressao, gerada por IA
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Fios de teia no PETG: o ajuste de retração que resolve

· 6 min de leitura · 6 visualizações · por Equipe 3D Tocantins

Atualizado

Você abre a impressora de manhã e a peça tá coberta de fios finos, tipo teia de aranha, ligando cada torre, cada ilha, cada buraco. No PETG isso é quase regra: o material é mais viscoso e mais sedento por umidade que o PLA, então oozing vira teia com facilidade. A boa notícia é que stringing tem causa física e tem ordem de ajuste. Atacado na sequência certa, some.

Este guia é uma curadoria técnica dos manuais que mais acertam no assunto (Prusa, Ellis, the3dprinterbee, Sovol), organizada na ordem que poupa filamento. Sem promessa de mágica.

Por que o PETG faz teia (e o PLA menos)

Stringing é plástico vazando do bico durante os movimentos sem extrusão. Dois fatores empurram isso no PETG. Primeiro, viscosidade: na faixa de impressão o PETG fica mais escorrido que o PLA, então goteja mais nos deslocamentos. Segundo, ele é higroscópico, puxa umidade do ar.

Essa água é o problema escondido. Ela vira vapor no hotend, forma bolhas que estouram e empurram filamento pra fora do bico exatamente quando o bico devia estar fechado. A Prusa descreve o mesmo efeito como bolhas e fumaça durante a extrusão, além de superfície ruim e baixa adesão.

O PLA também faz teia, mas perdoa erro: imprime mais frio (190 a 210 °C) e absorve bem menos água. Por isso o perfil de retração que deixa o PLA limpo deixa o PETG cheio de fio. Reaproveitar o perfil de um no outro é a receita certa da teia.

Seque o filamento antes de mexer em qualquer outra coisa

A regra que quase todo tutorial inverte: secar vem primeiro. Filamento molhado produz um stringing que retração nenhuma resolve, porque a causa não está no slicer, está no vapor dentro do bico. O Ellis, no Print Tuning Guide, chama isso de stringing quase impossível de corrigir e lembra que até rolo lacrado de fábrica costuma chegar úmido.

A Prusa especifica, oficialmente: PETG a 55 °C por 6 horas (PLA seca a 45 °C por 6 horas). Outros guias trabalham na faixa de 50 a 60 °C por mais tempo. O sinal de que o rolo está molhado é direto: estalo ou chiado durante a impressão, e superfície opaca e áspera.

Aqui entra o clima, e dessa vez ele muda a conta. No Tocantins, a estação chuvosa de novembro a abril joga a umidade relativa lá em cima, e PETG higroscópico bebe essa água mais rápido que em região seca. Quem imprime em Palmas, Araguaína ou Gurupi nesse período sente na prática: o mesmo rolo que rodava limpo em agosto faz teia em janeiro. Secar e guardar em caixa hermética com sílica deixa de ser luxo e vira parte do fluxo.

Custo no Brasil: um secador dedicado sai de cerca de R$ 225 (Sunlu FilaDryer S1) a R$ 900 (Creality Space Pi Dryer Plus), dependendo do modelo. Alternativa barata é o desidratador de alimentos, que resolve bem. Forno doméstico é arriscado: a maioria não desce a 55 °C com precisão e passa fácil de 70 °C, temperatura que já começa a amolecer o PLA.

A torre de temperatura: ache os 230-235 °C que servem pro seu rolo

Com o filamento seco, o maior ajuste isolado é a temperatura, e ela se acha com torre, não no chute. Uma torre de temperatura imprime o mesmo objeto em faixas diferentes (tipicamente de 210 a 260 °C pro PETG) e você escolhe o trecho com menos teia que ainda tenha boa adesão entre camadas.

Na prática, o ponto limpo costuma cair na ponta baixa da janela. A maioria dos rolos de PETG vive entre 230 e 250 °C, e baixar pra perto de 230-235 °C reduz o oozing porque o plástico escorre menos. Alguns rolos pedem até 220 °C.

O cuidado: descer demais cobra o preço na adesão. PETG muito frio gruda mal entre camadas e a peça racha sob esforço. A torre existe justamente pra achar o ponto onde a teia some sem sacrificar resistência. No Cura, o plugin Calibration Shapes gera o objeto; o Ellis sugere rodar torres de temperatura e de retração juntas, partindo de 10 °C acima do seu normal e caindo de 10 em 10 °C.

Retração: distância e velocidade que param o ooze

Retração puxa o filamento de volta nos deslocamentos pra aliviar a pressão no bico. Os números dependem do tipo de extrusor:

AjusteBowdenDirect drive
Distância de retração4 a 7 mm1 a 4 mm
Velocidade de retração30 a 45 mm/s35 a 60 mm/s
Passo de teste+0,5 mm por vez+0,5 mm por vez

Bowden precisa de mais distância porque o tubo entre o motor e o bico engole parte do movimento. Direct drive, com o motor colado no hotend, resolve com bem menos: o Ellis começa em 0,5 mm e mantém abaixo de 1 mm. Velocidade alta demais arranca o filamento e pode entupir, e o Ellis prefere retração mais lenta, perto de 30 mm/s.

Ajuste em passos pequenos, 0,5 mm e 5 mm/s por vez, e reimprima o teste. Um truque que ajuda os dois extrusores: aumentar a velocidade de deslocamento pra 150 a 200 mm/s dá menos tempo pro plástico gotejar entre um ponto e outro.

Coasting e wipe: o acabamento que zera o resto

Quando temperatura e retração já estão calibradas e ainda sobra fiapo fino, entram os ajustes de fim de linha. Coasting corta a extrusão um pouco antes do fim do traço e usa a pressão que já está no bico pra completar o trecho, sem empurrar plástico novo.

Wipe faz o bico passar por cima da área já impressa pra limpar a gota antes de sair em deslocamento. Uma distância de wipe de 0,4 mm ou mais costuma bastar. Z-hop (levantar o bico no deslocamento) evita que ele arraste e bata em peças já impressas, mas não reduz oozing por si só, e pode até aumentar um pouco. Use por colisão, não por teia.

A ordem que funciona (e por que PETG nunca fica igual PLA)

Os guias divergem sobre o que mexer primeiro, retração ou temperatura. A sequência que evita perder tempo é outra: seca o filamento, roda a torre de temperatura, calibra a retração, e só então liga coasting e wipe. O motivo é simples. Filamento molhado e temperatura errada fazem todo teste de retração mentir. Resolve o que confunde antes do que afina.

E o limite honesto: mesmo com tudo no ponto, PETG raramente fica tão limpo quanto PLA no melhor dia dele. Dá pra chegar perto de zero teia, e o que sobra é no máximo um fiapo que sai com um sopro de ar quente ou um toque rápido de ferro de solda. Quem promete zero stringing garantido no PETG está vendendo, não calibrando.

Perguntas frequentes

Secar o filamento resolve sozinho o stringing no PETG?

Resolve a parte que vem da umidade, que costuma ser a maior. Se sobrar teia depois de seco, aí sim é temperatura ou retração.

Qual temperatura baixar pro PETG parar de fazer teia?

A janela usual é 230 a 250 °C. Baixar pra perto de 230-235 °C reduz o oozing, mas confirme na torre pra não perder adesão entre camadas.

Quanto tempo e a que temperatura seco o PETG?

A Prusa recomenda 55 °C por 6 horas. Secador dedicado é mais seguro que forno doméstico, que dificilmente segura essa temperatura com precisão.

Bowden precisa de mais retração que direct drive?

Sim. Bowden trabalha bem entre 4 e 7 mm; direct drive resolve com 1 a 4 mm, porque o motor fica colado no hotend.

Dá pra usar o mesmo perfil do PLA no PETG?

Não. PETG imprime mais quente, é mais viscoso e mais sedento de umidade. Reaproveitar o perfil de PLA quase sempre traz teia.

Forno de casa serve pra secar filamento?

Quebra galho, mas com risco: muitos fornos não descem a 55 °C e passam de 70 °C, que amolece o PLA. Desidratador de alimentos ou secador dedicado são mais seguros.

Onde ir agora

Roda uma torre de temperatura hoje, com o filamento já seco, e anota o ponto limpo de cada rolo que você usa. Esse caderninho vale mais que qualquer perfil baixado da internet, porque cada marca de PETG escorre de um jeito. Mais guias práticos de impressão estão no blog do 3D Tocantins.

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