Prusa XL agora imprime silicone de verdade na mesma peça do PLA
· 6 min de leitura · 5 visualizações · por Equipe 3D Tocantins
Silicone de verdade, macio e resistente ao calor, saindo de um bico montado na mesma impressora que cospe seu PLA. A Prusa anunciou um cabeçote opcional para a XL que imprime silicone por extrusão, e na mesma peça, junto com plástico rígido. Não é resina imitando borracha: é silicone curado de fato.
A tecnologia não nasceu na Prusa. Ela vem de uma parceria com a Filament2, uma startup israelense que reinventou a impressão de pastas com upgrades simples de FFF. A Prusa entrou com o cabeçote pronto pra encaixar na XL e fatiar direto no PrusaSlicer, sem software exótico.
Como o bico de silicone da Prusa funciona
O truque está no "filamento", que não é um fio sólido. É um tubo oco enrolado numa bobina FDM comum, e dentro dele viajam dois componentes separados. Quando o material chega perto do hot end, um cortador no cabeçote abre o tubo: a casca de plástico desliza pra fora e os dois compostos seguem pro bico, onde se misturam e saem como silicone. É assim que a Fabbaloo descreve o mecanismo depois de olhar a Filament2 de perto.
Como o silicone é um material de duas partes, a impressão usa dois desses tubos ao mesmo tempo, conforme detalhou a Notebookcheck. A peça impressa leva cerca de oito minutos pra secar antes de poder ser descolada da mesa, segundo a cobertura da Tom's Hardware no evento da Prusa em Praga.
O resultado é silicone real, com a maciez e a resistência ao calor que o material tem na prática. A contrapartida física: a cada impressão sobra o tubo vazio que segurava os dois compostos, um resíduo que a extrusão de filamento normal não gera.
Por que FDM e silicone na mesma peça muda o jogo
A Prusa XL aceita até cinco cabeçotes. É aí que o anúncio fica interessante de verdade. Dá pra reservar alguns cabeçotes pra plástico rígido e um pro silicone, e a máquina alterna entre eles na mesma peça.
Nas palavras da própria Prusa, citadas pela Fabbaloo: "Pela primeira vez, você pode combinar impressão FDM tradicional com impressão de silicone de verdade, tudo ao mesmo tempo, numa única peça. Ou carregue a XL com cinco desses cabeçotes e imprima um objeto com silicones de durezas Shore completamente diferentes."
Na prática isso resolve coisas que antes exigiam molde. Uma carcaça rígida com gaxeta de vedação macia integrada. Um punho de plástico com pegada emborrachada. Um selo flexível embutido numa peça estrutural. Tudo numa passada só, sem colar partes depois.
Quanto custa e quando chega
O cabeçote de silicone aparece na loja da Prusa por cerca de US$ 925, conforme a página oficial do produto, que estima envio para o verão (meados de 2026 no hemisfério norte). Relatos da imprensa no lançamento listaram valores um pouco mais altos, perto de mil dólares, então vale conferir o preço no momento da compra.
O argumento de venda da Prusa é a comparação com o que existe hoje. Segundo a Notebookcheck, a empresa afirma que a tecnologia alternativa para imprimir silicone custa "pelo menos vinte vezes mais". Para uma oficina pequena que hoje terceiriza molde de silicone, isso muda a conta.
Falta um número importante: o preço do material. Ninguém divulgou quanto custa cada tubo nem quantos mililitros ele rende, e a Fabbaloo aposta que a quantidade por bobina é bem menor que o quilo de PLA a que estamos acostumados. Sem esse dado, o custo por peça impressa fica em aberto.
A pegadinha que os reviews honestos apontam
Nem todo mundo está convencido. Kerry Stevenson, da Fabbaloo, levanta duas dúvidas que valem registrar antes de você sonhar com a compra.
A primeira é preço. Um cabeçote sai por mais que muitas impressoras FFF inteiras, e uma XL de cinco cabeçotes com dois deles de silicone já empurraria a plataforma pra cerca de US$ 4.600, na conta dele. A segunda é mercado: várias iniciativas de impressão 3D de silicone surgiram no passado e quase todas murcharam, parte por custo, parte por falta de gente realmente precisando imprimir silicone em casa.
Há também a crítica técnica que apareceu nos comentários da Tom's Hardware: sistemas de silicone líquido alimentado por seringa ou bomba já existem e deixam você escolher livremente a mistura, a dureza e o pigmento, sem gerar o tubo descartável. A aposta da Prusa é trocar essa flexibilidade por algo plug-and-play que fatia no software que o usuário já conhece.
O que vem depois do silicone
O silicone é só a primeira aplicação do sistema de dois componentes. A Prusa sinalizou que o mesmo cabeçote abre caminho pra epóxis, líquidos e outras pastas de duas partes, segundo a Tom's Hardware. Josef Prusa chegou a brincar que o método poderia, em tese, lidar com materiais que vão de cola a chocolate.
O anúncio veio junto de outras novidades da Prusa em Praga: a impressora CORE One L, com volume de 300 x 300 x 330 mm por US$ 1.799, e o OpenPrintTag, um sistema aberto de etiquetas de bobina que tenta furar o lock-in das tags proprietárias. O silicone foi o que roubou a cena.
Perguntas frequentes
O silicone impresso é silicone de verdade ou borracha imitando?
É silicone curado de verdade, formado pela mistura de dois compostos na hora da extrusão. Não é resina flexível nem TPU se passando por borracha.
Funciona em qualquer impressora Prusa?
Não. O cabeçote foi feito pra Prusa XL, que aceita o sistema de troca de ferramentas e comporta até cinco cabeçotes. Não há versão anunciada pra MK4 ou CORE One.
Posso imprimir plástico rígido e silicone na mesma peça?
Sim, é justamente o diferencial. Com cabeçotes separados na XL, a máquina alterna entre FDM comum e silicone numa única impressão, permitindo, por exemplo, uma peça rígida com vedação macia integrada.
Quanto custa o cabeçote?
A loja oficial da Prusa lista cerca de US$ 925, com envio estimado para meados de 2026. Relatos no lançamento citaram valores perto de mil dólares. O preço do material de silicone ainda não foi divulgado.
Qual é a desvantagem dessa tecnologia?
Cada impressão deixa um tubo plástico vazio como resíduo, o material por tubo deve render pouco, e o custo total de uma XL com vários cabeçotes fica alto. Sistemas de silicone líquido por seringa oferecem mais liberdade de mistura, embora sejam menos plug-and-play.
Dá pra usar TPU em vez disso pra peças flexíveis?
Pra muita coisa, sim. TPU resolve peças flexíveis com qualquer impressora FDM e custa muito menos. O silicone faz sentido quando você precisa da resistência ao calor, da elasticidade ou do contato específico que só o silicone entrega.
Onde ir agora
Antes de gastar quase mil dólares num cabeçote que ainda nem chegou, vale dominar o que já dá pra fazer com materiais flexíveis na sua impressora atual. Veja nosso guia de materiais e técnicas no Conhecimento e decida se o seu projeto pede silicone de verdade ou se um bom TPU já entrega o que você precisa.
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