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Peças coloridas impressas em 3D sobre bancada de madeira ao lado de calculadora, cédulas de real, paquímetro e rolo de filamento laranja, gerada por IA
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Quanto cobrar por uma peça impressa: a conta certa

· 6 min de leitura · 3 visualizações · por Equipe 3D Tocantins

Atualizado

Pega o custo do filamento, multiplica por três e manda o preço. É assim que boa parte dos makers cobra, e é por isso que muita gente imprime o mês inteiro pra descobrir que trabalhou quase de graça. O filamento costuma ser o menor pedaço da conta. O que come o lucro são as horas de máquina, a taxa do marketplace e a peça que falhou na metade.

Precificar peça impressa não é chute nem questão de espiar o preço do concorrente. É uma conta com cinco partes, e cada uma tem um número que dá pra medir.

A conta tem cinco partes, não uma

O preço justo de uma peça vem de somar material, energia, hora-máquina (com depreciação), acabamento e mão de obra, e só então aplicar a margem, como sintetiza o guia da Filamentos 3D Brasil. Pular qualquer uma dessas partes é vender no prejuízo sem perceber.

O filamento é o custo mais fácil de medir. A fórmula é direta: gramas usadas dividido por 1000, vezes o preço do rolo. Uma peça de 150 g num rolo de PLA de 1 kg que custou R$ 120 dá R$ 18 de material, como mostra o exemplo da careca3d. Num rolo mais barato, a R$ 80, a mesma peça sai por R$ 12, na conta da Printora.

Esse preço do rolo no Brasil carrega dólar e importação: boa parte do filamento vendido aqui depende de matéria-prima cotada em moeda estrangeira, e o frete até o Tocantins ainda pesa em cima. O rolo que sai por R$ 80 no Sudeste chega mais caro em Palmas ou Araguaína. Use o valor que você paga, não o de tabela de loja de São Paulo.

Energia custa pouco, mas a tarifa daqui subiu

Energia é o menor item da conta. Ainda assim, é onde o Tocantins muda o número. A fórmula: potência em watts dividida por 1000, vezes as horas, vezes a tarifa do kWh. Uma impressora FDM puxa entre 100 W e 300 W, segundo a Printora. Numa peça de 6 horas a 200 W, são 1,2 kWh.

E a tarifa não é igual no país inteiro. No Tocantins, a ANEEL aprovou reajuste médio de 12,68% nas tarifas da Energisa em julho de 2025, com alta de 12,31% para o consumidor residencial de baixa tensão, segundo a agência. A conta de luz que entra na sua precificação aqui é diferente da de quem imprime em outro estado. Pega o valor do kWh na sua fatura da Energisa, já com ICMS, e usa esse.

Hora-máquina e depreciação: o custo que ninguém vê

A impressora se desgasta, e cada hora de impressão consome um pedaço do que ela custou. Isso é depreciação, e é o item que quase ninguém cobra.

A conta é simples: preço da máquina dividido pela vida útil em horas. Uma impressora de R$ 2.500 com vida útil estimada de 5.000 horas embute R$ 0,50 por hora de uso, na conta da Printora. Some o seu tempo de operação a isso. A National 3D sugere cobrar entre R$ 2 e R$ 3 por hora de impressão, já contando o desgaste e o tempo de acompanhar a máquina, com a mão de obra de preparo e acabamento à parte. Numa peça de 6 horas, só a hora-máquina já passa de R$ 12.

Falta a falha. Impressão que descola, entope o bico ou empena na metade vira material e horas no lixo. Quem imprime pra vender guarda uma porcentagem pra isso na conta, em vez de fingir que nunca acontece, como defende a careca3d. Uma reserva entre 10% e 15% do custo é um ponto de partida comum.

Margem não é "vezes três": o jeito de fechar o preço

Aqui o atalho do "vezes 3" quebra. Margem e markup não são a mesma coisa, e trocar um pelo outro é vender no prejuízo achando que está lucrando.

Somou todos os custos (material, energia, hora-máquina, falha e mão de obra)? O preço de venda sai dividindo esse custo por um menos a margem desejada. Pra uma margem de 40%, é custo dividido por 0,60, explica a Printora. Não é o mesmo que somar 40% por cima do custo, e a diferença engana muita gente.

O piso técnico costuma ser custo mais 50%, segundo a careca3d. A National 3D trabalha com markup de 50% a 100%, multiplicando o custo total por 1,5 a 2,0 conforme a peça e o mercado. Peça personalizada ou geek vale mais que o piso: o cliente paga pela ideia, não só pelo grama. Margem é planejada, não o que sobra no fim do mês.

A taxa do canal come o que você não enxerga

O preço que você anuncia não é o que entra na conta bancária. Onde você vende decide quanto sobra.

A careca3d comparou a mesma peça de R$ 70 em dois canais: vendida no Pix com taxa de 1%, sobra R$ 67,31; no Mercado Livre, uma taxa de R$ 15,15 derruba o líquido pra R$ 54,85. São R$ 12,46 de diferença na mesma venda, sem mexer no preço de tabela.

E não para por aí: marketplace pode levar até 20% do valor, maquininha de cartão fica entre 3% e 6%, e ainda há imposto, de 6% a 15% conforme o faturamento, lista a Printora. Nada disso aparece no custo da peça, mas tudo sai do seu bolso. Faturar não é lucrar.

A conta de uma peça, do começo ao fim

Junta tudo numa peça de referência: 150 g de PLA, 6 horas de impressão, vendida direto ao cliente. Os números unitários vêm das fontes acima, então troque pela sua realidade.

  • Material: 150 g de um rolo de R$ 120 = R$ 18,00
  • Energia: 1,2 kWh a R$ 0,95 de exemplo = R$ 1,14
  • Hora-máquina com depreciação: 6 h a R$ 2,50 = R$ 15,00
  • Subtotal: R$ 34,14
  • Reserva de falha de 12%: R$ 4,10
  • Custo total: R$ 38,24

No piso técnico de custo mais 50%, essa peça sai por R$ 57,36. Se a venda for por marketplace, esse piso ainda precisa subir pra cobrir a taxa do canal, senão a margem que você planejou some na hora do repasse. É por isso que vender a mesma peça a R$ 36 "porque o filamento foi barato" não fecha: o filamento foi menos da metade do custo real.

Calculadoras nacionais pra não vender no prejuízo

Você não precisa refazer essa conta na mão a cada orçamento. Tem calculadora brasileira de graça pra isso, e elas não esquecem a depreciação nem a taxa do canal, que é justo onde a conta de cabeça falha.

A careca3d tem uma calculadora gratuita, sem cadastro, que mostra o líquido lado a lado em cada canal de venda. A Precifi3D deixa cadastrar material por kg, peso, tempo e consumo de energia, definir a margem e devolve custo e preço de venda na hora, com plano grátis e planos pagos com exportação em PDF. Há ainda 3D Lab, Acelera3D, 3D Prime, Printora e Objeto3D, todas com campos parecidos de filamento, energia e margem.

Escolhe uma e mantém os mesmos parâmetros em todos os orçamentos. O erro mais caro não é o preço alto, é o preço inconsistente que às vezes cobre o custo e às vezes não.

Perguntas frequentes

Qual a fórmula básica pra precificar uma peça impressa em 3D?

Some material, energia, hora-máquina com depreciação, reserva de falha e mão de obra. Esse é o custo. Depois aplique a margem: o piso técnico costuma ser custo mais 50%.

Quanto cobrar por hora de impressão?

Entre R$ 2 e R$ 3 por hora é o ponto de partida usado por lojas como a National 3D, já contando desgaste e o tempo de acompanhar a máquina. Some a depreciação: uma máquina de R$ 2.500 por 5.000 horas dá R$ 0,50 por hora.

Multiplicar o filamento por três funciona?

Como atalho, raramente. O filamento costuma ser o menor custo da peça, então o "vezes 3" ignora energia, depreciação, falha e a taxa do canal. Em peça com muitas horas de máquina, ele vende no prejuízo.

Quanto a tarifa de energia muda a conta no Tocantins?

A energia é o menor item, mas a tarifa varia por estado. No Tocantins, a Energisa teve reajuste de 12,31% para o residencial em julho de 2025, pela ANEEL. Use o valor do kWh da sua fatura, já com ICMS.

Vender em marketplace ou no canal próprio?

Depende do líquido. No Mercado Livre a taxa pode passar de R$ 15 numa peça de R$ 70; no Pix direto, a mordida é bem menor. Marketplace dá alcance, mas o preço precisa subir pra cobrir a taxa.

Existe calculadora brasileira de graça?

Sim. careca3d e Precifi3D têm versões gratuitas, e há outras como 3D Lab, Acelera3D e Printora. Todas pedem filamento, tempo e energia e devolvem o preço de venda.

Onde ir agora

Antes de mandar o próximo orçamento, refaz a conta de uma peça que você já vendeu e compara com o que cobrou. Se ficou abaixo de custo mais 50%, você estava bancando parte do trabalho do cliente. Outros guias de quem vive de impressão 3D estão no nosso blog.

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