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Modelo de galinha viking pintado em cores dentro do viewport do Audja Pro, com a barra de ferramentas de pintura na lateral esquerda. Imagem: MTR Studio.
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Audja Pro: multicor sem AMS num app que ainda é grátis

· 11 min de leitura · 2 visualizações · por Equipe 3D Tocantins

Você baixa um modelo do MakerWorld, ele abre com buracos na malha, não cabe na mesa e precisa de quatro cores. Começa o rodízio: um app pra reparar, outro pra cortar, o slicer pra pintar na mão. O Audja Pro quer acabar com esse rodízio, e por enquanto não cobra nada por isso.

O beta público está aberto e gratuito. O preço já está anunciado pra quando acabar: US$ 149 vitalício ou US$ 8,99 por mês. Vale a pena instalar agora, e vale a pena pagar antes da hora? São perguntas diferentes.

Aviso de método: ninguém da redação rodou o Audja ainda. Ele é exclusivo de Windows e a nossa bancada é outra. O que segue é análise do que o fabricante documenta, do changelog do beta.3 e dos tutoriais oficiais, não relato de uso.

O que ele faz que o seu slicer não faz

O Audja Pro é um preparador de modelos, não um fatiador. Ele mora no espaço entre o arquivo que você baixou e o Bambu Studio ou o OrcaSlicer: repara a malha, pinta as cores, corta o que não cabe, gera suporte, oca a peça, monta molde e exporta um 3MF pintado que o fatiador entende.

Quem faz é o MTR Studio, estúdio pequeno que assina o projeto como Fluid Prints. A versão atual é a 1.0.0-Beta.3, e o lançamento oficial está planejado pra 2027.

São quatorze ferramentas no pacote. As que mudam a rotina de quem imprime de verdade são cinco: pintura automática por região, separação por cor, corte com encaixe, suporte próprio e ocamento que não apaga a pintura.

A lista de fatiadores que ele abre direto cobre o que se usa no Brasil: OrcaSlicer, Bambu Studio, PrusaSlicer, Creality Print, Anycubic Slicer Next e, desde o beta.3, o Flash Studio da Flashforge.

Pintar sem repintar tudo na mão

Quem já pintou um modelo dentro do Bambu Studio sabe onde dói: você passa o pincel, escorrega a cor pra área errada, desfaz, tenta de novo. Em modelo com muita peça, isso vira meia tarde.

O Audja abre o arquivo e roda uma detecção de regiões pela geometria local antes de você tocar em qualquer coisa. O que sai daí é um primeiro rascunho de cores que você corrige, não uma tela em branco. Na captura oficial abaixo, o auto-paint identificou 36 partes num único boneco.

Interface do Color Painter do Audja Pro com o painel de auto-paint à direita listando 36 partes detectadas num modelo de personagem pintado em azul, vermelho e cinza

Depois vêm as ferramentas manuais: pincéis de círculo, esfera, triângulo e curva, preenchimento inteligente, segmentação por curvatura, pintura por altura em qualquer direção, espelhamento e seleção por laço. São até 16 slots de filamento por projeto, bem acima dos 4 de um AMS comum.

O beta.3 acrescentou suporte a mesa digitalizadora com pressão de caneta, o que aproxima o app de um Wacom de ilustrador. Também trouxe um modo de pintura em tela cheia, que esconde o resto da interface.

O detalhe técnico que mais importa é outro: a cor agora fica colada na malha. Você repara buracos, decima, remalha, oca, corta e até esculpe o modelo, e a pintura sobrevive a tudo isso. Perder a pintura ao mexer na geometria é o tipo de retrabalho que faz gente desistir de multicor.

O tutorial oficial mostra o fluxo de pintura do começo ao fim:

Multicor sem AMS: a parte que interessa ao bolso brasileiro

Aqui está o argumento mais forte pro maker daqui, e ele é econômico.

O Separate by Color pega as regiões que você pintou e exporta cada uma como peça separada. Você imprime uma cor de cada vez numa impressora de bico único e monta depois. São três métodos: Fast, que faz cortes precisos com tampas fechadas, Keys, que já embute o conector, e Socket, que cria um plugue com profundidade e conicidade ajustáveis.

Peças de um modelo de pirata separadas por cor no Audja Pro: chapéu azul, faixa vermelha, espada amarela e botas pretas dispostas lado a lado como partes individuais para impressão

Por que isso pesa no Brasil: um AMS Lite oficial custava R$ 2.499 e vivia esgotado quando levantamos o assunto em julho, no post sobre o MechAMS, o multicor mecânico sem motor. Separar por cor no software custa zero de hardware.

Tem um segundo ganho, menos óbvio. Sistema de troca automática purga filamento a cada mudança de cor, e essa torre de purga vira lixo. Já mostramos o tamanho desse desperdício nos textos sobre o custo real do multicor no AMS e sobre o ACE 2 Pro, o CFS e a Qidi Box. Imprimindo por partes, purga nenhuma.

O preço é o seu tempo: você troca o filamento manualmente entre as peças e cola tudo no fim. Pra uma tiragem de dezenas de unidades, isso deixa de compensar rápido. Pra peça única, brinde ou protótipo, compensa muito.

Cortar o que não cabe na mesa

Três ferramentas cobrem esse problema. O Smart Key-Cut divide o modelo por planos ou por curva desenhada à mão e adiciona conectores de cubo, octógono, rabo de andorinha ou quebra-cabeça, com folga regulável por impressora. O Outline Cut abre uma vista 2D com grade de desenho pra você contornar uma parte específica com caneta e recortá-la com profundidade exata.

O Blade Split é o irmão pesado, feito pra estátua e capacete que viram dezenas de peças. Ele coloca texto de montagem nas próprias peças e organiza as mesas de impressão.

Foi aí que apareceu um dos bugs mais reveladores do projeto. Fatiadores travam com qualquer 3MF acima de 36 mesas, e um projeto de 50 ou 100 mesas gerava um arquivo gigante que derrubava o slicer na importação. O beta.3 passou a exportar em lotes de até 36 mesas, com os arquivos numerados lado a lado.

Suporte que sai de uma puxada

O Audja gera o próprio suporte, com dois estilos que não existem em fatiador nenhum. O One-Pull Ribbons ergue paredes curvas conectadas: depois de imprimir, você puxa qualquer ponto e a estrutura inteira se solta num movimento só, como um zíper, sem deixar marca na face da peça. O Scaffold Cage detecta as saliências sozinho e monta uma gaiola que quebra com mais facilidade.

Comparação lado a lado no Audja Pro entre suporte tradicional laranja denso e o suporte Scaffold Cage verde, ambos sob a mesma escultura de criatura com machado

Os dois gastam menos filamento que o suporte padrão do fatiador, segundo o fabricante. Não há número publicado pra essa economia, e sem teste próprio não dá pra confirmar quanto. Ângulo de saliência, espessura e folga de ar são ajustáveis, e dá pra forçar ou proibir suporte em zonas específicas.

Ocar sem perder a cor, e o resto do pacote

O Hollow Shell transforma o sólido em casca com espessura definida, preservando a superfície externa. O ponto novo é que ele oca 3MF pintado sem perder cor: a parede interna herda as cores da superfície externa, e o consumo de filamento cai pela metade, segundo o changelog.

Com filamento bom custando o que custa aqui, cortar metade do material de um capacete de cosplay é dinheiro de verdade no fim do mês.

O pacote ainda traz o Mold Studio, que gera moldes imprimíveis com tubo de vazamento, respiros e casca externa, o Articulate pra juntas de peça articulada, um modo de escultura com jogo completo de pincéis, um Render Studio que exporta foto e vídeo giratório com marca d'água pra loja, e uma linha do tempo de até mil passos que pode viajar dentro do arquivo do projeto.

Quanto custa e o que roda na sua máquina

Hoje: nada. O beta público é gratuito enquanto durar, e o próprio site avisa que essa versão será aposentada no lançamento.

Quem quiser garantir preço antecipado compra a licença vitalícia de fundador. A faixa de US$ 49 já esgotou. A atual é US$ 79, com 276 vagas restantes quando checamos hoje, e as próximas sobem pra US$ 99 e US$ 129 antes de chegar aos US$ 149 do lançamento. O checkout é pela Whop.

A conta fechada pro comprador brasileiro, com o dólar PTAX de venda a R$ 5,2043 (18/08/2026) e o IOF de 3,5% que voltou a valer em compras internacionais no cartão:

O queEm dólarNo cartão, no câmbio comercialCom spread de 4% do banco
Vitalício de fundador (hoje)US$ 79R$ 425R$ 443
Vitalício no lançamentoUS$ 149R$ 802R$ 835
Mensalidade no lançamentoUS$ 8,99R$ 48 por mêsR$ 50 por mês

O vitalício de fundador se paga em cerca de nove meses de assinatura. O detalhe que muda a conta: o 1.0.0 está planejado pra 2027, então você pagaria hoje por um produto que ainda vai levar mais de um ano pra sair da beta, feito por um estúdio pequeno. Não há garantia nenhuma além da palavra deles.

Quem só quer usar não precisa decidir nada: baixa, entra e usa de graça.

Requisitos de máquina, que são modestos:

MínimoRecomendado
SistemaWindows 10 64 bitsWindows 11 64 bits
ProcessadorCore i5 4ª geração ou Ryzen 3 1200Core i5 10ª geração ou Ryzen 5 3600
Memória8 GB16 GB
VídeoGTX 750 Ti, RX 460 ou UHD 630GTX 1660, RTX 2060 ou RX 6600
Disco2 GB livresSSD com 5 GB livres

O requisito silencioso é o OpenGL 3.3. Vídeo integrado antigo com driver desatualizado simplesmente não abre o programa.

Importa STL, OBJ, PLY e 3MF. Exporta STL, OBJ, PLY e 3MF pintado. O projeto tem formato próprio, o .audja.

O que pesa contra

Quatro coisas, e nenhuma é pequena.

Só Windows. Não existe versão pra macOS, que o site promete sem data, nem pra Linux. Só 64 bits, só PC.

Não abre sem internet. O app checa o portal do beta toda vez que inicia, e sem conexão ele não abre. Depois de logado o trabalho roda local, mas essa é a diferença entre um programa instalado e um programa alugado. Quem imprime em oficina com internet instável precisa saber disso antes.

É beta, e beta de gente pequena. O próprio site recomenda salvar sempre e conferir os arquivos exportados antes de imprimir. O changelog do beta.3 conta que salvar projeto às vezes falhava e que alguns arquivos salvos não reabriam, dados como corrompidos. Foi corrigido, e os arquivos antigos voltaram a abrir, mas é bom saber onde o produto estava há pouco tempo. Cada conta vale por um PC.

Os números não batem entre si. O modo de escultura anuncia até 30 milhões de polígonos, enquanto a ficha técnica declara malha testada até cerca de 8 milhões de triângulos. São pipelines diferentes, e a segunda cifra é a que vale pro preparo do dia a dia. Trate os 30 milhões como vitrine.

Perguntas frequentes

O Audja Pro é gratuito mesmo?

Sim, durante o beta público, sem cartão e sem pegadinha. O próprio fabricante avisa que vai virar pago no lançamento e que a versão beta será aposentada.

Funciona no Mac ou no Linux?

Não. Hoje é exclusivo de Windows 10 e 11, 64 bits. O site menciona macOS "em breve", sem data. Não há menção a Linux.

Preciso de internet para usar?

Para abrir, sim. O aplicativo valida a sessão no portal a cada inicialização e não abre offline. Depois de autenticado, pintura, reparo, corte e exportação rodam na sua máquina.

Preciso de AMS para imprimir colorido com ele?

Não. Essa é a graça do Separate by Color: as regiões pintadas viram peças separadas, você imprime cada uma com um filamento e monta depois. Quem tem AMS ou MMU usa o caminho normal, exportando um 3MF pintado.

Com quais fatiadores ele conversa?

OrcaSlicer, Bambu Studio, PrusaSlicer, Creality Print, Anycubic Slicer Next e Flash Studio. Qualquer fatiador que leia 3MF multicor deve funcionar, mas confira a atribuição de materiais antes de mandar imprimir.

Ele substitui o Blender ou o ZBrush?

Não. O modo de escultura serve para ajustes e detalhes sobre um modelo que já existe. Modelagem do zero continua sendo trabalho de CAD ou de aplicativo de escultura dedicado.

Vale pagar o vitalício de fundador agora?

Só se você já usa o programa toda semana e quer bancar o desenvolvimento. Para todo o resto, a decisão racional é usar de graça durante o beta e reavaliar perto do lançamento, porque o 1.0.0 só está previsto para 2027.

Meu PC antigo aguenta?

Provavelmente sim, se a placa de vídeo tiver OpenGL 3.3 estável e você tiver 8 GB de memória. Vídeo integrado velho com driver desatualizado é o caso que não abre.

Onde ir agora

Se você imprime colorido e não tem AMS, esse é o programa que mais merece uma hora do seu sábado neste momento, e a hora é o único custo. Baixe o beta em beta.audja.com, abra aquele modelo que você desistiu de pintar e vá até o Separate by Color.

Antes de decidir se o caminho é software ou hardware, vale comparar com as duas alternativas que já cobrimos: o MechAMS, que dá quatro cores a uma A1 sem nenhum motor, e o pente-fino no desperdício de filamento do multicor automático.

E se você testar antes da gente, conte como foi. Relato de bancada de maker do Tocantins vale mais que qualquer página de fabricante, e a gente publica.

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