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Impressora 3D de mesa fabricando um objeto de resina translúcida com gradiente de cores visível por dentro. Imagem gerada por IA.
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HeyGears G1X: 3D full color de mesa por US$ 3.299

· 9 min de leitura · 4 visualizações · por Equipe 3D Tocantins

Uma peça de resina que sai da impressora já colorida, sem uma gota de tinta passada por cima, custando US$ 3.299 em vez dos seis dígitos de uma PolyJet industrial: é essa a aposta da HeyGears com a G1X Full-3D, que abre reserva no Kickstarter em julho de 2026.

A empresa já vende impressoras de resina para o mercado odontológico há anos. Agora ela lança a série G1, batizada de "primeira impressora 3D e UV full-color de mesa do mundo" segundo o anúncio da própria HeyGears. O detalhe que separa a G1X Full-3D do resto do mercado desktop não é só a cor: é onde a cor mora na peça.

O que é, de verdade, o G1X Full-3D

A série tem três máquinas, e confundir uma com a outra muda toda a expectativa de compra. A HeyGears G1 básica e a G1X imprimem só UV: aplicam tinta fotocurável colorida sobre um objeto já pronto, como gravar uma logo colorida numa capinha de celular, até 5 mm de relevo. É impressão de superfície, não impressão 3D.

O G1X Full-3D é o único dos três que fabrica a peça inteira, camada por camada, em resina já colorida por dentro. Segundo a análise do Fabbaloo, ele opera em três modos distintos, sem trocar de máquina: impressão UV 2D sobre um objeto fixo, relevo de textura até 5 mm, e impressão 3D colorida de verdade. É esse terceiro modo que compete com equipamento de seis dígitos.

Vale comparar com o que o Tocantins já viu em impressão UV de mesa: o post impressora UV de mesa: cor e relevo na peça 3D cobre máquinas que só decoram uma peça já impressa em outro lugar. A G1X Full-3D faz a peça e a cor no mesmo processo, e essa é a diferença que justifica o preço mais alto.

Como o jato de material pinta a peça por dentro

O mecanismo por trás da G1X Full-3D é o "material jetting": um cabeçote Epson i3200, o mesmo usado nos dois modos UV, deposita gotículas de 3,9 picolitros a 1440 x 2400 dpi. Só que, no modo 3D, ele alterna entre oito canais: ciano, magenta, amarelo, preto, branco (dobrado), verniz e material de suporte, segundo a ficha técnica da HeyGears.

Cada camada de resina sai já com a cor certa misturada no material, não pintada por cima depois de curada. É por isso que o fabricante promete gradiente e degradê internos que uma pintura manual não reproduz, sem o passo extra de lixar e aplicar tinta. A camada varia entre 10 e 20 micrômetros de espessura, fina o bastante para curvas suaves.

O preço da física, porém, aparece no detalhe que a Fabbaloo aponta: no modo 3D colorido, a fidelidade de cor tende a ficar abaixo da dos modos puramente UV, porque o conjunto de materiais muda (CMYK, branco, verniz e suporte, e não o CMYKWV+Lc+Lm da tinta). E dificilmente dá para imprimir o objeto 3D e depois aplicar uma segunda camada de cor UV por cima, no mesmo trabalho: são dois processos que não se somam.

Compare com a rota que o Bambu Studio já usa no FDM: o recurso coberto em Bambu Studio 2.7.1: textura vira impressão multicor gera cor trocando bobinas de filamento sólido durante a impressão, útil e barato, mas limitado a blocos de cor por camada. A G1X Full-3D promete gradiente contínuo dentro da própria resina, algo que o FDM multicor não faz.

O que já é real e o que ainda é promessa de campanha

Antes de decidir, separe o que está confirmado do que ainda é intenção de campanha. Confirmado: a HeyGears é fabricante estabelecida, não um projeto de garagem; a ficha técnica já está publicada; e o preço fundador (US$ 3.299 para o Full-3D, US$ 2.999 para o G1X Starter só UV, US$ 1.699 para o G1 Starter) fica cerca de 40% abaixo do MSRP futuro de US$ 5.499, segundo a página oficial da marca.

Ainda não confirmado: nenhuma unidade foi vendida ou avaliada de forma independente até agora. O Kickstarter abre em julho de 2026, com reserva de US$ 50, e o próprio fundador do Fabbaloo, Kerry Stevenson, que cobre impressão 3D desde 2007, admite que "resta ver como a tecnologia da HeyGears se compara em qualidade" ao padrão PolyJet/Mimaki.

E esse padrão custa muito mais. A Stratasys J55, a PolyJet colorida mais barata da marca, foi lançada em 2020 a US$ 99 mil segundo a 3D Printing Industry, e a Mimaki, outro nome de peso do mesmo padrão full-color, também fica na casa das seis cifras. Mesmo com reajuste de preço desde 2020, a G1X Full-3D custa uma fração de um dígito percentual desse universo, o que explica o barulho em torno do lançamento.

Quanto custa fazer chegar ao Tocantins: a conta de importação fechada

Aqui está o número que a cobertura internacional não faz: quanto custa colocar essa máquina em qualquer cidade do Tocantins. Premissas explícitas primeiro, porque estimativa de importação sem mostrar a conta não vale nada.

Câmbio usado: R$ 5,20 por dólar, cotação de referência da primeira semana de julho de 2026. Frete internacional: a HeyGears ainda não divulgou o valor (isso normalmente só sai na pesquisa de envio pós-campanha), então esta conta assume US$ 300 para uma máquina de 45 kg despachada por courier, uma estimativa razoável para esse peso e volume.

O valor aduaneiro fica em US$ 3.599 (US$ 3.299 do equipamento mais o frete assumido), ou R$ 18.714,80 no câmbio adotado. Como a HeyGears vende direto por campanha de financiamento coletivo, não por uma plataforma credenciada no Programa Remessa Conforme, a Receita Federal aplica os 60% de Imposto de Importação cheios, sem o abatimento que existe para lojas credenciadas: R$ 11.228,88.

Some o valor aduaneiro ao imposto de importação (R$ 29.943,68) e aplique o ICMS "por dentro", conforme a fórmula oficial: divide-se pelo complemento da alíquota. No Tocantins, a alíquota interna é 20%, o que dá uma conta redonda: com 60% de II e 20% de ICMS, o multiplicador sobre o valor aduaneiro fecha em exatamente 2. A máquina que custa R$ 18.714,80 na conversão direta chega à porta por cerca de R$ 37.400.

Isso é mais que o dobro do preço convertido só pelo câmbio, e ainda há um risco extra: os US$ 3.299 do equipamento sozinho já encostam no teto de US$ 3.000 que separa remessa simplificada de importação formal. Somando o frete, o pacote passa do teto, o que pode obrigar a um despacho formal, com despachante e custo de processo, em vez do fluxo automático de courier, com prazo mais imprevisível do que a conta acima sugere. Quem for reservar deve perguntar à HeyGears como o embarque será declarado antes de pagar.

O custo que não para no dia da compra

A etiqueta de preço é só a entrada. A G1X Full-3D usa oito cartuchos próprios de 1.000 ml entre tinta UV e resina, e cada refil custa entre US$ 25 e US$ 35 no preço "super early bird" da campanha, segundo a HeyGears. Uma peça 3D colorida consome pelo menos quatro canais de resina ao mesmo tempo (cor, branco, verniz, suporte), então repor depois de algumas peças significa comprar vários cartuchos de uma vez, sempre em dólar, sem fornecedor no Brasil.

Não há distribuidor ou assistência técnica da HeyGears no Brasil até o fechamento deste texto. Isso quer dizer que uma peça de reposição do cabeçote (a HeyGears estima vida útil de 12 a 24 meses no G1X) ou uma dúvida de garantia passa por suporte internacional, sem loja física para trocar a máquina.

Kickstarter também não é loja: é aposta em entrega. A HeyGears tem histórico em impressoras de resina odontológica, o que reduz o risco de golpe puro, mas campanha de financiamento coletivo atrasa com frequência, e a própria marca ainda não deu data de envio além de "2026".

Juntando a conta de importação, o custo recorrente em dólar e o risco de cronograma, a chamada honesta é esta: se peça colorida de resina já é parte do seu negócio e R$ 37 mil, mais consumíveis, cabe no caixa, reservar os US$ 50 agora trava o preço de fundador antes que ele suba para o público geral. Se o orçamento é apertado ou o full color ainda é curiosidade, espere a campanha efetivamente entregar as primeiras unidades e ler relato de quem recebeu antes de pagar a conta de importação.

Perguntas frequentes

O G1X Full-3D já está à venda no Brasil?

Não. A reserva abre no Kickstarter em julho de 2026 por US$ 50, sem distribuidor no Brasil até o momento.

Qual a diferença entre o G1, o G1X e o G1X Full-3D?

O G1 e o G1X imprimem só UV sobre peças já prontas, até 5 mm de relevo. Só o G1X Full-3D fabrica o objeto 3D inteiro em resina colorida.

O G1X Full-3D substitui uma impressora FDM ou de resina comum?

Não. Ele resolve cor interna sem pintura, um problema específico de peça decorativa ou protótipo de aparência. Para peça funcional em PLA ou PETG, o FDM continua mais barato e mais simples de manter.

Por que o G1X Full-3D é tão mais barato que uma PolyJet da Stratasys?

Porque abre mão de escala industrial: volume de impressão menor (420 x 330 x 130 mm), menos certificação e venda direta por campanha, sem a estrutura comercial de uma máquina de linha de produção.

Quanto custa manter a máquina rodando depois da compra?

Cada refil de 1.000 ml custa entre US$ 25 e US$ 35 no preço de campanha, e uma peça colorida consome vários canais ao mesmo tempo, sempre em dólar.

Dá para importar pelo Correios sem pagar os impostos cheios?

Não de forma legal. O valor do equipamento sozinho já encosta no teto de remessa simplificada, e declarar valor menor que o real é fraude, com risco de apreensão na alfândega.

Quando a HeyGears entrega as unidades reservadas?

A própria marca só promete "2026", sem mês definido. Prazo de campanha de financiamento coletivo atrasa com frequência.

Onde ir agora

Se cor interna de resina resolve um problema real na sua operação, acompanhe a campanha oficial antes de reservar, e compare com o que o Tocantins já cobriu em cor de impressão sem o investimento de uma máquina full color: Bambu Studio 2.7.1: textura vira impressão multicor mostra a rota barata em FDM, e impressora UV de mesa: cor e relevo na peça 3D cobre a alternativa que só decora peça pronta.

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