Elegoo H1 HT: o secador de filamento que chega a 85°C
· 9 min de leitura · 2 visualizações · por Equipe 3D Tocantins
A Elegoo lançou em 24 de julho de 2026 o H1 HT, secador de filamento que chega a 85°C. A maioria das caixas de secagem do mercado trava perto de 55°C a 60°C, faixa que resolve PLA e PETG mas deixa nylon, PC e PA-CF praticamente intocados. Os 85°C mudam essa conta, mas não do jeito que parece à primeira vista.
Filamento úmido é o problema mais comum e menos diagnosticado de quem imprime em 3D no Brasil. Estala na hora de extrudar, sai fio em vez de parede lisa, e quase sempre a culpa cai na impressora, não no rolo que ficou destampado durante a estação chuvosa.
Por que 85°C muda o jogo pra quem seca filamento
A Elegoo confirmou os 85°C em nota oficial distribuída pela PR Newswire, descrevendo o H1 HT como estação capaz de secar desde PLA e PETG até PA e PC. O Fabbaloo resume o ponto central: é a primeira caixa alta temperatura da marca, feita pro calor que material de engenharia realmente exige.
A conta é simples. PLA e PETG secam bem entre 45°C e 65°C, faixa que qualquer secador de entrada cobre. Nylon, PC e PA-CF absorvem bem mais água e precisam de calor mais alto pra evaporar essa umidade de dentro pra fora. Secador travado em 60°C nunca chega lá, por mais horas que fique ligado.
O TechRadar testou o aparelho fisicamente e cronometrou o tempo até o teto: 8 minutos e 25 segundos pra câmara vazia chegar aos 85°C, estabilizando numa faixa de 75°C a 85°C. A tela de 3,5 polegadas mostra temperatura e umidade relativa em tempo real, com 11 presets de fábrica (PLA, PETG, TPU, ABS, ASA, PET, PP, PC, PA, PAHT-CF, PVA) mais um modo personalizado. A Elegoo não divulgou o piso da faixa de ajuste, só o teto de 85°C.
A ficha oficial lista o consumo: 0,386 kWh num ciclo de 8 horas a 85°C, rede de 220V e ambiente a 25°C. O timer vai de meia hora a 12 horas, ajustável na tela. Duas válvulas automáticas liberam o ar úmido durante a secagem e se fecham sozinhas no fim do ciclo, o que transforma a caixa em pote hermético depois de pronta.

PLA pode empenar se você secar a 85°C
Aqui mora o ângulo que o comunicado da Elegoo não menciona. PLA amolece perto da própria temperatura de transição vítrea, entre 60°C e 65°C segundo o levantamento da PlasticRanger sobre o material. Acima disso, o plástico deixa de ser rígido e passa a se comportar como uma massa parecida com borracha.
Um rolo de PLA enrolado apertado, dentro de uma câmara a 85°C por horas, corre risco real de colar as próprias voltas ou empenar o carretel. O wiki oficial da Bambu Lab é direto: o modo de secagem estática não é adequado pra PLA, PVA e TPU, porque esses filamentos têm baixa temperatura de amolecimento e podem grudar ou deformar perto do limite térmico.
A Elegoo não publicou a temperatura de cada um dos 11 presets, mas separar PLA de PA e PC num menu de fábrica sugere que a maioria dos perfis trava bem abaixo do teto. O risco mora no modo Custom: nada impede alguém de configurar 85°C num rolo que não aguenta esse calor. O próprio teste do TechRadar mostra essa diferença na prática, com o revisor ajustando manualmente 40°C pra imprimir PLA direto da caixa, longe dos 85°C do topo da escala.
85°C é recurso pra material de engenharia. Não é ajuste padrão pra tudo que passa pela bancada, e tratar como se fosse é o jeito mais rápido de perder um rolo de PLA novo.
Quanto tempo secar cada filamento, e a que temperatura
Números variam por marca e por quanto o rolo já absorveu de umidade, mas a tabela abaixo resume as faixas mais citadas pelo setor pra secador dedicado, cruzando as referências da Bambu Lab pra forno de convecção forçada, categoria mais próxima do funcionamento do H1 HT.
| Material | Temperatura recomendada | Tempo de secagem | Fonte |
|---|---|---|---|
| PLA | 45°C a 55°C | 6 a 8h | Prusa / Bambu Lab |
| PETG | 55°C a 65°C | 6 a 8h | Prusa / Bambu Lab |
| ABS / ASA | 75°C a 85°C | 4 a 8h | Bambu Lab |
| TPU | 60°C a 75°C | 4 a 8h | Prusa / Bambu Lab |
| Nylon (PA) | 75°C a 90°C | 8 a 12h | Bambu Lab / Prusa |
| PC | 75°C a 85°C (até 100°C em forno dedicado) | 6 a 8h | Bambu Lab / Prusa |
| PA-CF / PAHT-CF | 75°C a 85°C | 8 a 12h | Bambu Lab |
Detalhe que vale registrar: pra PC, a Bambu Lab recomenda até 85°C em forno de convecção, dentro do que o H1 HT alcança, mas parte do setor indica 100°C pra secagem mais rápida em forno dedicado. Mesmo os 85°C do H1 HT ficam no teto pra PC, sem sobrar margem.
Dá pra imprimir com o filamento ainda dentro do secador?
Sim, e essa é a segunda função do H1 HT, além de secar. A nota da Elegoo descreve duas saídas: uma horizontal na traseira, pra PLA, PETG, ABS e ASA, e outra na tampa, dedicada a TPU e materiais reforçados com fibra, com rota mais direta pra reduzir atrito.
O TechRadar confirmou isso na prática, imprimindo PLA, ASA e PETG direto da caixa conectada a uma Centauri Carbon 2, com o filamento saindo pela saída traseira sem travar. Enquanto a impressora puxa o rolo, a rotação automática da câmara pode ser desligada, e a secagem continua junto com a impressão.

A limitação aparece em sistema multicor. O próprio TechRadar nota que cada H1 HT seca só uma bobina de 1kg, sem empilhamento entre unidades: pra quatro cores rodando ao mesmo tempo num sistema tipo Canvas da própria Elegoo, são quatro caixas, cada uma na própria tomada. Quem já lida com secagem integrada num sistema fechado, como a Bambu Lab resolve enquanto imprime, sente essa diferença ao comparar as duas abordagens.
Como saber se o seu filamento está úmido
Filamento úmido raramente avisa antes de estragar a peça. O sinal mais comum é o estalido durante a extrusão, som de vapor d'água escapando pelo bico quente enquanto o material derrete. Depois vem a superfície ficando áspera, fiapos entre partes do modelo, o chamado stringing, e camadas que quebram fácil com uma leve torção.
O TechRadar descreve essa cadeia de sintomas direto no teste: stringing, estouros durante a extrusão, aderência fraca entre camadas e peças que saem só um pouco piores do que deveriam, sem defeito isolado óbvio. A umidade entra aos poucos, então é comum a culpa cair na impressora antes de alguém suspeitar do rolo.
Se o problema for puxar fio, esse guia sobre stringing e retração em PETG separa o que é umidade do que é ajuste de fatiador errado, antes de qualquer compra. Rolo que passou dias sem selo, num ambiente sem ar-condicionado, é candidato natural. Grande parte do Brasil vive com umidade relativa alta boa parte do ano, sobretudo perto do litoral e na estação chuvosa, e isso muda a substância do problema.
Quanto custa o H1 HT e como comprar no Brasil
O preço oficial, segundo a nota da Elegoo, é US$ 70, com equivalentes de €70, £62, US$ 90 canadenses, US$ 149 australianos e ¥10.399. A venda direta começou em 24 de julho pela loja oficial, mas só pra clientes dos Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia, Canadá, Austrália e Japão. Brasil não está na lista.
Isso significa importar via redirecionador por enquanto. Fazendo a conta com o câmbio comercial de hoje, R$ 5,07, e a regra vigente pra compra internacional: até US$ 50 o imposto federal está zerado desde maio, restando só o ICMS estadual de 17% a 20%. Acima disso, o imposto de importação volta a 60%, com dedução fixa de US$ 20, mais o mesmo ICMS por cima do valor final.
Com frete internacional estimado em US$ 15 a US$ 20 pra esse porte de encomenda (a caixa pesa 1,53kg vazia, segundo mediu o TechRadar), o total fechado fica em torno de US$ 140 a US$ 150, algo como R$ 700 a R$ 760 na ponta, sem contar taxa de serviço do redirecionamento. Ainda é preço de secador de entrada, não de equipamento de laboratório, mas o exercício de comparar valor anunciado com custo real de trazer pro Brasil é o mesmo que fizemos ao fechar a conta do combo Anycubic Kobra 4 por aqui.
Alternativas mais baratas pra secar filamento
Nem todo mundo precisa de secador dedicado agora. Forno doméstico é a opção mais citada e a mais arriscada: a maioria não tem controle fino de temperatura abaixo de 100°C, e o próprio wiki da Bambu Lab desaconselha usar forno de cozinha pra secar filamento, porque a distribuição de calor é irregular e pode empenar o rolo perto da resistência.
Desidratadora de alimentos resolve melhor, porque já foi projetada pra temperatura baixa e constante com circulação de ar, embora normalmente não passe de 70°C, suficiente pra PLA, PETG e boa parte do TPU. Caixa hermética com sílica-gel não seca filamento já úmido, mas segura um rolo seco por mais tempo, e é a alternativa mais barata pra quem só precisa impedir a umidade de voltar.
Quem já usa aquecedor acoplado a AMS, como o Sunlu AMS Lite Heater na Bambu A1, conhece a lógica parecida: calor baixo e constante resolve o dia a dia, e um secador de temperatura mais alta entra só quando o material pede, caso de nylon ou PC.
Perguntas frequentes
Quanto custa o Elegoo H1 HT?
US$ 70 no lançamento, segundo a Elegoo, equivalente a €70, £62, US$ 90 canadenses ou US$ 149 australianos. No Brasil ainda não há venda direta, então o preço final tende a ficar acima disso depois de frete e imposto.
O H1 HT já vende no Brasil?
Não de forma direta. A Elegoo lista despacho só pra Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia, Canadá, Austrália e Japão. Comprar agora significa usar redirecionador internacional.
Dá pra secar nylon e PC no H1 HT?
Sim, essa é a proposta central do aparelho. A Elegoo inclui presets pra PA e PC entre os 11 perfis de fábrica, e o teto de 85°C cobre boa parte da faixa que a Bambu Lab recomenda pra esses materiais.
Posso secar PLA a 85°C no H1 HT?
Fisicamente sim, mas não é recomendado. PLA amolece perto de 60°C a 65°C, e manter o rolo perto do teto de 85°C por horas pode empenar o filamento ou colar as voltas do carretel.
Quantos rolos de filamento cabem no H1 HT?
Um rolo de 1kg, filamento de 1,75mm, segundo a ficha da Elegoo e a confirmação do Fabbaloo. Pra sistema multicor com várias bobinas ao mesmo tempo, é preciso uma unidade por rolo.
O H1 HT substitui a caixa hermética com sílica?
Não totalmente. Ele seca e depois sela pra manter o filamento protegido, funcionando como caixa hermética depois do ciclo. Pra guardar filamento que já está seco, a caixa com sílica-gel ainda sai mais barata no dia a dia.
Qual a diferença entre o H1 HT e o AMS da Bambu Lab?
O H1 HT é um secador avulso, funciona com qualquer impressora e não troca informação com ela. O AMS da Bambu Lab é sistema fechado integrado à impressora, com troca automática de cor e comunicação direta com o firmware.
Preciso de um H1 HT por bobina se eu tiver impressora multicor?
Sim. Cada unidade seca só um rolo, não empilha fisicamente e precisa da própria tomada. Pra um sistema de quatro cores, são quatro secadores rodando ao mesmo tempo.
Onde ir agora
Antes de fechar compra ou importação, vale confirmar que o problema é mesmo umidade. Esse guia sobre stringing e retração em PETG separa sintoma por sintoma o que é filamento úmido do que é ajuste de fatiador errado, e evita gastar com secador quando o conserto era outro.
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